De Katy Perry a Beatles: Grammy anuncia nova categoria e lista capas de álbum mais icônicas da história
A lista conta ainda com Nirvana, Beyoncé, Rihanna e Britney Spears
Na última quinta-feira, 12, o GRAMMY Awards fez um anúncio empolgante: uma nova categoria será adicionada à premiação de 2026: Melhor Capa de Álbum (Best Album Cover). Essa iniciativa reconhece a arte visual como um elemento crucial na percepção da música. Antes da era do streaming, a capa era a primeira impressão, muitas vezes a única forma de um consumidor escolher seu próximo disco em uma loja física.
A ideia de ilustrar capas de álbuns surgiu em 1938, com Alex Steinweiss da Columbia Records. Rapidamente, a prática se popularizou, permitindo que artistas visuais como Neil Fujita e Bob Cato construíssem carreiras inteiras fazendo vinis se destacarem.
A era de ouro da arte de capa floresceu quando o álbum se tornou o formato dominante, e bandas icônicas como The Beatles e Rolling Stones perceberam o poder de uma capa de 12 polegadas. Gêneros como o psicodélico, prog-rock e heavy metal, em particular, adoravam adornar suas obras com imagens elaboradas e abertas à interpretação.
Mesmo com a evolução para fitas cassete, CDs e, mais recentemente, a dominância digital, a arte da capa continuou relevante. Designers como Annie Leibovitz adaptaram suas técnicas para manter o impacto visual, e hoje, artistas ainda se esforçam para que sua representação visual reflita a essência sonora.
Em celebração à nova categoria, o GRAMMY revisitou algumas das capas mais icônicas que moldaram a cultura pop desde 1959. Entre os destaques dessa lista histórica estão obras de Jimi Hendrix, Katy Perry, Rihanna, The Beatles, Charli XCX, Billie Eilish, Pink Floyd e muitos outros artistas que transformaram suas capas em verdadeiras declarações visuais.
Veja algumas das capas de álbuns mais marcantes, de acordo com o Grammy e confira a lista completa no site da premiação:
Jimi Hendrix — Are You Experienced (1967)
O álbum de estreia de Jimi Hendrix em 1967 apresentou duas capas marcantes. A versão britânica original, de Bruce Fleming, mostrava Jimi em pose de Drácula. Já a edição norte-americana, de Karl Ferris, reimaginou o trio como “viajantes espaciais em uma Biosfera”, usando uma lente olho de peixe para capturar uma aura psicodélica perfeita para o Verão do Amor.
The Beatles — Abbey Road (1969)
A icônica capa de Abbey Road, de 1969, transformou uma simples rua de Londres em um ponto turístico global. A ideia original de uma caminhada no Himalaia foi substituída por uma travessia de pedestres em frente ao estúdio EMI. O fotógrafo Iain MacMillan teve apenas 10 minutos para capturar os Beatles, incluindo Paul McCartney descalço, criando uma imagem que, apesar da falta de título, definiu a banda pela união e individualidade.
Pink Floyd — The Dark Side of the Moon (1973)
Para a obra-prima The Dark Side of the Moon, de 1973, a Hipgnosis buscou inspiração em uma caixa de chocolates. Os designers Aubrey Powell e Storm Thorgerson criaram uma capa revolucionária com um prisma e espectro de cores, refletindo os visuais deslumbrantes dos shows ao vivo do Pink Floyd. Essa imagem simples, mas poderosa, tornou-se sinônimo da banda e prova que as ideias mais eficazes são muitas vezes as mais diretas.
The Rolling Stones — Sticky Fingers (1971)
Andy Warhol mais uma vez inovou com a capa de Sticky Fingers, de 1971. Ele integrou um zíper funcional e uma fivela perfurada que, ao serem abertos, revelavam uma cueca branca com sua assinatura. Contrariando rumores de que a virilha era de Mick Jagger, o designer Craig Braun admitiu que a ambiguidade aumentaria as vendas, elevando a arte das capas a novas e provocativas alturas.
Bruce Springsteen — Born in the U.S.A. (1984)
Em 1984, Bruce Springsteen personificou o herói americano na capa de Born in the U.S.A., posando de camiseta branca, jeans e boné vermelho em frente à bandeira dos EUA. Apesar de a fotógrafa Annie Leibovitz ter se desapontado por não mostrar o rosto de The Boss, ele brincou que “a foto da minha bunda ficou melhor que a do meu rosto”, resultando em uma arte divertida que chegou a 30 milhões de casas.
blink-182 — Enema of the State (1999)
O blink-182 promoveu seu álbum Enema of the State, de 1999, com uma capa que mesclava humor escatológico e visuais ousados, alinhando-se ao sucesso de American Pie. A modelo Janine Lindemulder, vestindo uma roupa de enfermeira provocante, foi escolhida, sem que a banda soubesse de sua carreira na indústria adulta. A imagem se tornou um ícone nas paredes de quartos de adolescentes hormonais da virada do século.
Britney Spears — …Baby One More Time (1999)
Para o lançamento de seu álbum de estreia, …Baby One More Time, em 1999, Britney Spears apresentou imagens distintas: uma versão internacional mais solene e uma americana mais descontraída, que remetia ao seu passado no Mickey Mouse Club. A capa nacional mostrava a princesa adolescente ajoelhada e sorrindo, cercada por um rosa pastel, essencialmente inaugurando uma era pop onde artistas jovens e “da vizinhança” podiam dominar a cena.
Lauryn Hill — The Miseducation of Lauryn Hill (1998)
Lauryn Hill revisitou sua antiga escola para a capa de seu álbum de estreia solo, The Miseducation of Lauryn Hill, lançado em 1998. Em colaboração com o fotógrafo Eric Johnson, a ex-Fugees capturou a essência do álbum com fotos temáticas em corredores e salas de aula. A capa final, mostrando o rosto de Hill gravado em uma mesa de madeira, tornou-se uma das artes mais únicas e especiais da cena hip-hop.
Nirvana — Nevermind (1991)
Em 1991, Spencer Elden se tornou o “bebê mais famoso do mundo” na icônica capa de Nevermind, do Nirvana, nadando nu e perseguindo uma nota de dólar debaixo d’água. Kurt Cobain, desafiador, recusou-se a cobrir o bebê, insistindo que apenas permitiria um adesivo dizendo: “Se você se ofende com isso, deve ser um pedófilo enrustido”. Apesar de um processo recente de Elden, a imagem permanece um dos visuais mais impactantes e inesquecíveis do rock.
Amy Winehouse — Back to Black (2006)
A fotógrafa Mischa Richter capturou a essência de Amy Winehouse para a capa do álbum vencedor do GRAMMY, Back to Black, em 2006. Apesar de Amy ter chegado atrasada após uma festa, Richter conseguiu fotografá-la em sua própria casa em Londres, em uma sala escura com tinta de lousa. A imagem simples, mas poderosa, sem revelar os desafios futuros da cantora, se tornou uma das mais memoráveis de sua tragicamente curta carreira.
*NSYNC — No Strings Attached (2000)
Em 2000, o *NSYNC demonstrou total comprometimento com o conceito de “mestre de marionetes” para No Strings Attached. Além de atuar como marionetes no vídeo “It’s Gonna Be Me”, a boy band se amarrou com cordas na arte da capa, aludindo ao controle da RCA e do ex-empresário Lou Pearlman. Essa metáfora poderosa ressoou com mais de 2,5 milhões de americanos, quebrando recordes de vendas na primeira semana.
Shakira — Fijación Oral, Vol. 1 (2005)
Inspirada em Eva, a primeira mulher, Shakira interpretou essa figura na capa de Fijación Oral, Vol. 1, de 2005. A capa, com a colombiana em um vestido transparente segurando uma bebê, lutava contra a ideia de que mulheres não podem conciliar maternidade e carreira. Embora não houvesse GRAMMY para Melhor Capa, o álbum rendeu a Shakira prêmios GRAMMY e Latin GRAMMYs em 2006, incluindo Álbum do Ano neste último.
Billie Eilish — WHEN WE ALL FALL ASLEEP, WHERE DO WE GO? (2019)
A capa do álbum de estreia de Billie Eilish, WHEN WE ALL FALL ASLEEP, WHERE DO WE GO?, de 2019, fotografada em seu 17º aniversário, confirmou seu status de estrela adolescente não convencional. Com lentes de contato brancas e uma pose demoníaca em uma cama no escuro, a arte propositalmente assustadora parecia mais um horror dos anos 70 do que um pop de 2010. A imagem sugere um pesadelo, deixando a pergunta do título sem uma resposta desejável.
Katy Perry — Teenage Dream (2010)
A capa de Teenage Dream, de 2010, resultou da colaboração de Katy Perry com o artista Will Cotton. A imagem mostra Perry deitada nua em uma nuvem de algodão doce rosa, com edições limitadas da capa até mesmo perfumadas com aroma de chiclete. Essa estética colorida e divertida, adotada por Perry em sua fase mais bem-sucedida, inspirou outras grandes artistas pop a abraçarem seu lado lúdico e irreverente.
Kendrick Lamar — To Pimp a Butterfly (2015)
A capa de To Pimp a Butterfly, de 2015, é tão provocadora e instigante quanto o próprio álbum vencedor do GRAMMY. Ela transporta uma “festa hip-hop” para o gramado presidencial, com Lamar e seus amigos (incluindo um bebê) sem camisa e acenando com dinheiro. A imagem, que mostra o grupo rodeando um juiz branco morto, carrega uma forte mensagem política, refletindo a jubilação com um subtexto socialmente carregado.
Rihanna — Anti (2016)
Em 2016, Rihanna lançou Anti, uma capa marcante de Roy Nachum que a representa não como uma adulta famosa, mas como uma menina vendada por uma coroa dourada, segurando um balão. A superstar explicou que “às vezes, aqueles que veem são os mais cegos”. O design, que incluía um poema em Braille, refletiu com maestria a evolução de Rihanna de uma princesa do R&B para uma artista séria, deixando uma forte impressão visual.
Bad Bunny — Un Verano Sin Ti (2022)
A capa de Un Verano Sin Ti, de Bad Bunny (2022), criada com Ugly Primo, é uma representação de “alegria triste”. Mostra palmeiras, sol e golfinhos, mas também um coração desanimado de um olho só. Com um estilo de livro de colorir, a arte encapsula o conceito de “um verão sem você”. Apesar dos temas melancólicos, o álbum foi um sucesso massivo, sendo o primeiro totalmente em espanhol a liderar a Billboard 200 e a ser indicado ao GRAMMY de Álbum do Ano.
Beyoncé — RENAISSANCE (2022)
Com RENAISSANCE, lançado em 2022, Beyoncé priorizou a capa do álbum como sua principal forma de expressão visual. A arte, fotografada por Carlijn Jacobs, mostra a artista montada em um cavalo feito de bolas de discoteca espelhadas, vestindo um body prateado em forma de hélice. A imagem, que gerou comparações com Lady Godiva e Bianca Jagger, consolidou Beyoncé como um ícone de estilo contemporâneo.
Charli XCX — Brat (2024)
A capa verde-limão (Pantone 3507C) de Brat, de Charli XCX (2024), dominou uma estação, liderando o que foi chamado de “Brat Summer”. Charli explicou que escolheu o tom “ofensivo e fora de moda” para “desencadear a ideia de que algo estava errado”. Apesar da aparente simplicidade, a arte levou cinco meses para ser executada e sua estética foi adotada por figuras como o prefeito de Londres e Kamala Harris, provando seu acerto.
The Weeknd — After Hours (2020)
The Weeknd se dedicou intensamente ao conceito visual de seu quarto LP, After Hours, de 2020. A narrativa começou com o artista de terno vermelho cambaleando em Las Vegas no vídeo de “Heartless” e culminou no Super Bowl. A capa o retrata tendo uma “noite muito ruim”, com sangue, hematomas e um sorriso quase de Coringa, sugerindo que ele se deleita no caos. Isso provou que a arte da capa ainda pode causar grande impacto.














