“Pânico 7” entrega sequências de tirar o fôlego e um dos Ghostfaces menos impactantes da franquia | Crítica
Após polêmicas nos bastidores e um filme sem sua principal estrela, a franquia “Pânico” volta aos cinemas nesta quinta-feira (26) cercada de expectativa dos fãs e amantes do terror. O sétimo capítulo marca o retorno de Neve Campbell como Sidney Prescott, a final girl que virou símbolo do terror moderno. Mais uma vez, ela encara o assassino mascarado Ghostface, agora ainda mais brutal.
Criada em 1996 por Wes Craven e roteirizada por Kevin Williamson, a franquia sempre se destacou por subverter as regras do slasher ao mesmo tempo em que as respeitava. Em “Pânico 7”, Williamson assume direção e roteiro e tenta equilibrar legado e renovação. A história leva Sidney para uma pequena cidade onde reconstruiu a vida, mas o passado retorna quando sua filha, Tatum, interpretada por Isabel May, se torna alvo do novo massacre.
O novo capítulo da franquia abre com a tradicional sequência de assassinato que já se tornou uma marca registrada da saga, apresentando-se de forma violenta, insana e impecável. O público encontra um Ghostface mais físico, cruel, menos irônico e com cenas que figuram entre as mais impactantes dos últimos anos.
A produção sustenta o suspense através de uma atmosfera sufocante e uma sonoplastia pensada para intensificar a intenção de cada uma das cenas. O filme entrega momentos de angústia real e coreografias de tirar o fôlego. Quando a trama acerta em cheio, especialmente nas sequências de perseguição, ela reafirma o vigor do gênero slasher com uma execução que privilegia a tensão em vez de sustos fáceis. O resultado é uma obra que, apesar das oscilações, entrega a brutalidade e a técnica que os fãs de Pânico esperam ver nas telas.
Um dos pontos mais interessantes é a exploração do trauma de Sidney. Diferente de capítulos anteriores, aqui o foco não está apenas na sobrevivência, mas nas cicatrizes emocionais deixadas por décadas de perseguição. O roteiro é mais sensível em mostrar o recomeço da pesonagem e tudo o que isso envolve, mas questiona até que ponto é possível romper um ciclo de violência quando ele se torna parte da sua identidade.
A parceria de Neve Campbell e Isabel May é interessante e trasmite a dose dramática que precisa para construir essa relação de mãe e filha e a falta de comunicação entre as duas quando o assunto são os acontecimentos de Woodsboro. De início, Sidney se mostra apenas uma mãe superprotetora ao olhos da filha, que até sabe de tudo o que ela passou, mas não pela boca da mãe. O ponto de virada dessa relação é tocante e dá para Tatum mais uma camada, que é justamente a de ‘ser filha da Sidney Prescott’.
A relação entre mãe e filha traz uma camada dramática relevante e reforça a ideia de passagem de bastão, ainda que Tatum não receba desenvolvimento suficiente para sustentar sozinha um possível futuro da franquia. Porém, no decorrer do filme, a personagem ganha mais força, coragem e, ao lado da mãe, protagoniza momentos memoráveis.
Quem também está de volta é Courteney Cox, a nossa amada Gale, mas sua participação soa discreta demais para uma personagem tão importante na história da saga. Existe um sentimento de despedida no ar, como se o filme reconhecesse que o tempo passa até mesmo para seus ícones. A pergunta que fica no ar é: a franquia sobreviveria sem suas protagonistas originais?
Um momento que realmente aperta o coração, e aqui vai um aviso de spoiler, é a morte de Hannah, personagem de McKenna Grace. A sequência é uma das mais bem construídas do filme, tensa do começo ao fim, e consegue superar alguns ataques clássicos do Ghostface ao longo da franquia. Os fãs mais fiéis certamente sentirão um ar de nostalgia e lembrarão dos tempos de Sidney Prescott na universidade em “Pânico 3”.
Ainda assim, fica a sensação de oportunidade perdida. McKenna é uma grande atriz e Hannah tinha potencial para crescer dentro da história e, quem sabe, até assumir o posto de final girl em um novo ciclo da franquia. Sua saída precoce impacta justamente por saber o tamanho da atriz, o que nos faz acreditar que havia muito mais a explorar ali.
Já a revelação da identidade de Ghostface divide opiniões. A motivação parece apressada e menos elaborada do que em capítulos anteriores, o que enfraquece o impacto da descoberta. Ainda assim, o terceiro ato entrega caos, tensão e confrontos que lembram por que essa franquia continua relevante quase três décadas depois.
No fim das contas, “Pânico 7” não reinventa a franquia, mas reafirma sua essência. O longa traz nostalgia e pode até aquecer o coração dos fãs em alguns momentos, mas definitivamente não é o capítulo mais surpreendente da saga. Porém, mantém viva a discussão sobre legado, trauma e sobrevivência. Enquanto houver histórias mal resolvidas e público disposto a revisitar esse universo, Ghostface sempre encontrará uma maneira de retornar para agitar a vida de Sidney Prescott.










