Rabanne mergulha no funk carioca e exalta a potência do Rio de Janeiro em campanha global
Para a sua coleção High Summer 2025, a Rabanne mergulha nas batidas quentes do funk carioca, construindo uma campanha que celebra o Rio de Janeiro. Intitulada “Do anoitecer ao amanhecer”, a proposta se inspira no calor e na memória persistente de uma noite de baile, como se ela nunca tivesse realmente acabado.
Com direção de Emmanuel Cossu e fotografia de Melissa de Oliveira, a campanha nasce da vivência real e da escuta ativa dos corpos e culturas que pulsam nas comunidades cariocas. Melissa, nascida no Morro do Dendê, empresta sua visão estética única ao projeto, traduzindo a linguagem visual da favela — do passinho às tranças, dos cortes de cabelo à dança como expressão de identidade.
Mais de setenta pessoas participaram da produção:
- 20 bailarinos, incluindo Hiltinho Fantástico e o coletivo Oz Crias,
- DJs e artistas como DJ Guiguinho, Aisha e Yaminah Mello,
- 50 talentos locais dos bailes da Rocinha, muitos deles sem formação profissional, mas com presença e autenticidade inquestionáveis.
As imagens transitam entre noite e manhã, registrando momentos íntimos e intensos: meninas se arrumando para a festa, meninos descolorindo os cabelos, motociclistas atravessando a cidade com os primeiros raios de sol. Tudo embalado por uma trilha sonora que mistura clássicos e novos nomes do funk e da música brasileira, como “Popotão Grandão”, de MC Neguinho, “Rapidamente Treme o Bumbum”, de MC Hollywood, e “Manhã de Carnaval”, de Luiz Bonfá.
Ao centro da narrativa, o funk carioca não é apenas ritmo: é resistência e pertencimento. Herdeiro do Miami Bass, o gênero se transformou até atingir os 150 bpm do chamado ritmo louco, onde os corpos se rendem ao transe do coletivo. Como resume DJ Marlboro em sua célebre frase: “É som de preto, de favelado, e quando toca ninguém fica parado.”
Essa conexão com a história do funk também revisita o legado do próprio Paco Rabanne, que nos anos 1980 fundou uma gravadora de soul e funk e foi pioneiro ao escalar modelos negras na moda parisiense. Seu espírito de transgressão e curiosidade cultural ressurge aqui, reinterpretado por uma nova geração e filtrado por olhares brasileiros.
A campanha foi concebida em colaboração com o coletivo criativo Sunbelt, que atua na interseção entre moda, cultura e identidade. Como explica a artista Melissa de Oliveira: “Acho que o que mais me toca nesta campanha é poder apresentar a favela como referência do que é moda, do que é estilo e do que é elegância. Sempre tentei expressar isso no meu próprio trabalho — como o cotidiano na favela reflete beleza e até mesmo uma espécie de futurismo.“
Para Manu Cossu, diretor da campanha, o trabalho representou mais que uma colaboração: “Capturar a pulsação do baile funk no coração da Rocinha não foi apenas inspirador, mas transformador. Brasil. Rio. Rocinha. Estes não são apenas lugares — são reinos de liberdade, fogo e humanidade luminosa.“
Com styling de Flavia Lafer, assistência de Claudia Kopke e Marina Franco, e voz de Ludmilla conduzindo a narrativa, a campanha não apenas homenageia o funk, mas celebra como símbolo de futuro, beleza e revolução. Assista ao vídeo abaixo:









