“O Agente Secreto”: estúdio de “Anora” e “Parasita” compra direitos do filme para os Estados Unidos
O longa “O Agente Secreto”, novo trabalho do diretor Kleber Mendonça Filho, teve seus direitos de distribuição nos Estados Unidos adquiridos pela Neon, estúdio conhecido por lançar títulos premiados como “Parasita” e “Anora”. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (21) por veículos internacionais como Deadline e Variety.
A negociação internacional ocorre poucos dias após a estreia mundial do filme no Festival de Cannes 2025, no último domingo, dia 18 de maio, onde foi aplaudido de pé por mais de 13 minutos após sua exibição na competição oficial. Ainda sem data exata, “O Agente Secreto” tem estreia prevista no Brasil e nos Estados Unidos para o segundo semestre de 2025.
Ambientado no Recife em 1977, em plena ditadura militar brasileira, “O Agente Secreto” acompanha Marcelo (Wagner Moura), um professor universitário acusado de subversão, que deixa São Paulo e se refugia no Recife durante o Carnaval. No entanto, sua busca por paz é interrompida por uma teia de espionagem e vigilância, à medida que ele passa a ser seguido por vizinhos e agentes do regime. A narrativa, segundo a crítica internacional, mistura thriller político, humor negro e até elementos de body horror, em uma abordagem que revisita e questiona as marcas deixadas pela repressão no Brasil.
O elenco reúne grandes nomes como Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Isabél Zuaa, Alice Carvalho e o veterano Udo Kier, ator alemão cuja presença simboliza as conexões entre regimes autoritários e figuras do passado nazista refugiadas na América Latina. A produção é uma coprodução entre Brasil, França, Alemanha e Países Baixos, com distribuição nacional pela Vitrine Filmes.
A aquisição por parte da Neon reforça o prestígio crescente de Mendonça Filho no circuito internacional. O cineasta pernambucano já havia passado por Cannes com os aclamados “Aquarius” (2016) e “Bacurau” (2019), este último vencedor do Prêmio do Júri. Em “O Agente Secreto”, ele retoma o cinema político e provocador, agora em um contexto de espionagem e paranoia.









