“Bailarina”: Ana de Armas brilha no spin-off caótico, eletrizante e digno do universo John Wick | Crítica
Lançado em meio à crescente expansão do universo John Wick, o filme “Bailarina” chegou aos cinemas nesta quarta-feira, 4, e entrega exatamente o que os fãs da franquia esperavam — e mais um pouco. Estrelado por Ana de Armas, o longa aposta em uma narrativa centrada, coreografias de ação inovadoras e uma protagonista que faz jus ao legado de violência estilizada construído por Keanu Reeves.
A história começa quando Eve Macarro, ainda criança, vê a sua casa ser invadida e testemunha a morte do próprio pai. Ali, o filme já dava o tom frenético que teria, uma vez que a cena da invasão é uma das mais interessantes do longa. E só melhora.
A partir daí, Eve é resgatada e levada para a organização secreta Ruska Roma, onde recebe um treinamento intenso em técnicas de combate e assassinato. Criada dentro da mesma irmandade que moldou o assassino Wick, Eve não se tornou apenas uma dançarina letal, mas a preencheu de estratégia, ferocidade e, movida por um desejo profundo de justiça, ela sairá em busca de vingança.
Eve Macarro é interpretada com intensidade e precisão por Armas, que segue um roteiro muito alinhado e que constrói essa trajetória com solidez, apresentando motivações claras e explorando sua evolução emocional ao longo do filme. Ainda sobre o roteiro, é interessante ver que Eve – ou Ana, como quiser – teve protagonismo total, mesmo a trama se passando no universo John Wick. Ele faz até uma participação no longa, mas é, de fato, apenas uma participação, só um plus. A Bailarina tem brilho próprio e brilha – e muito – aqui.
As sequências de ação são um espetáculo à parte. Criativas, insanas, caóticas e coreografadas com precisão e intenção, elas fogem do lugar-comum ao explorar os movimentos da dança como extensão da violência. É aí que Bailarina encontra sua identidade própria, sem perder a conexão com o universo-mãe. A direção de Len Wiseman mantém um ritmo preciso na narrativa e nas cenas de ação, dosando momentos de tensão com pausas dramáticas que aprofundam a protagonista. Há também um toque de humor, usado com parcimônia.
A fotografia de Bailarina mantém a estética estilizada e sombria já consagrada no universo de John Wick, com composições visuais que combinam brutalidade e elegância. Cenas de ação são marcadas por contrastes intensos de luz e sombra, criando um clima de tensão constante. A câmera segue Ana de Armas com precisão, capturando a fisicalidade das lutas e a intensidade emocional da personagem. O uso expressivo de luzes artificiais e paletas frias reforça o tom noir moderno do filme, equilibrando violência coreografada com uma estética visual sofisticada e impactante.
Ana de Armas comprova mais uma vez sua versatilidade. A atriz não só convence, como entrega uma personagem forte e complexa. Com poucas palavras e muitos movimentos, ela domina a tela com presença física e emocional. A personagem tem força para sustentar a própria franquia — e o filme deixa claro que esse pode ser apenas o começo.
Seja em momentos de brutalidade extrema ou em instantes de vulnerabilidade silenciosa, Ana imprime camadas à protagonista, equilibrando fragilidade e fúria com uma naturalidade impressionante. Sua entrega física nas cenas de ação é intensa, sem perder a sofisticação que a personagem exige — o que a consolida como uma estrela de ação em ascensão, capaz de carregar o peso dramático e o dinamismo que o papel exige.
No fim, “Bailarina” não é apenas um spin-off. É uma extensão legítima e pulsante do universo John Wick, com alma própria, que amplia o cenário e fortalece a mitologia sem perder a estética sombria e elegante que consagrou a saga. Com Ana de Armas no centro, o filme aponta para um futuro promissor dentro dessa franquia, onde protagonistas femininas têm espaço não só para lutar, mas para emocionar, decidir e marcar território. Se John Wick redefiniu o cinema de ação moderno, “Bailarina” promete dar continuidade a esse legado com novos passos — igualmente mortais, igualmente memoráveis.









